Em Araras/SP, o crescimento dos podcasts, entrevistas ao vivo e programas de rádio abriu espaço para debates importantes, aproximação com a população e valorização da informação local. A comunicação local ganhou força e passou a ter papel ainda mais relevante no acompanhamento da política municipal. Porém, junto com essa evolução da comunicação, surgiu também um velho problema da política brasileira: a politicagem barata.
Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais comum ver políticos, pré-candidatos e até figuras que sequer possuem atuação concreta em Araras, utilizando espaços da mídia para promover a própria imagem. Muitos aparecem semanalmente em entrevistas, podcasts e transmissões ao vivo tentando criar uma imagem de solução para todos os problemas da cidade, mesmo sem histórico efetivo de trabalho ou participação concreta na administração pública. Em vez de apresentar soluções reais, projetos consistentes ou resultados práticos, muitos transformam entrevistas em verdadeiros palanques antecipados.
A estratégia é conhecida: aparecer constantemente, repetir discursos prontos, atacar adversários de maneira indireta e usar a exposição da imprensa para ganhar popularidade. Enquanto isso, problemas antigos continuam exigindo atenção e continuidade administrativa. Apesar das dificuldades enfrentadas por qualquer gestão pública, é inegável que Araras vem mantendo serviços, obras e ações importantes em andamento, muitas vezes ignoradas por aqueles que preferem transformar entrevistas em palco político. Soluções práticas acabam ficando em segundo plano diante da corrida por curtidas, cortes de vídeo e engajamento político.
O mais preocupante é quando parte dessa movimentação deixa de ser jornalismo e passa a funcionar como marketing político disfarçado de entrevista. O cidadão percebe quando perguntas são suaves demais, quando assuntos importantes são evitados ou quando determinados nomes aparecem com frequência excessiva em programas, podcasts e transmissões.
A imprensa séria tem papel fundamental na democracia. O rádio, os podcasts e os canais digitais são ferramentas poderosas para informar, questionar e cobrar autoridades. Mas esses espaços não podem se transformar em vitrines permanentes para projetos pessoais de poder.
O eleitor ararense está cada vez mais atento. A população já consegue diferenciar quem trabalha de verdade de quem apenas aparece diante das câmeras. Visibilidade não substitui competência. Likes não resolvem problemas da cidade. E discursos bem ensaiados não garantem compromisso com a população.
Política se faz com trabalho, presença nos bairros, projetos sérios e resultados concretos. Enquanto isso, outros preferem apenas o conforto das câmeras e dos discursos preparados. Quando a preocupação maior é aparecer na mídia toda semana, talvez o objetivo principal não seja servir à população, mas apenas alimentar futuras campanhas eleitorais.
A sociedade precisa continuar valorizando a liberdade de imprensa, mas também exigir responsabilidade, equilíbrio e senso crítico. Afinal, informação deve servir ao cidadão — e não aos interesses de quem enxerga microfones e câmeras apenas como atalhos para o poder.
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