Uma ocorrência grave de violência doméstica, mobilizou equipes da Guarda Civil Municipal na noite de sábado (7), na rua Ângelo Trindade no Centro de Araras (SP). Uma mulher denunciou o próprio companheiro ( vigia noturno), por mantê-la em situação de cárcere privado, além de relatar ameaças, violência psicológica e ofensas de cunho racista ao longo de vários anos de relacionamento.
De acordo com informações registradas no Boletim de Ocorrência da GCM, a equipe da viatura 13760, composta pelo CD Arantes, GCM 3ª Classe Martins e GCM 3ª Classe Teixeira, foi acionada por volta das 22h20 para averiguar uma possível situação de violência doméstica. No local, os agentes fizeram contato com a vítima, identificada como F., e com seu filho L., de 13 anos.
Segundo relato da mulher, ela vinha sendo mantida em cárcere privado pelo companheiro, identificado como J. B. A vítima afirmou que não possuía acesso à chave da residência, o que a impedia de sair do imóvel. De acordo com ela, apenas naquele dia conseguiu deixar a casa, porque o filho teria encontrado a chave escondida do pai. O suspeito trabalharia a cerca de duas quadras do local.
Durante depoimento na unidade policial, a mulher relatou que mantém relacionamento com o homem há aproximadamente 26 anos e que, após o nascimento do filho, o comportamento dele teria se tornado ainda mais agressivo. Ela contou que ao longo do tempo sofreu diversas humilhações e ameaças, sendo chamada repetidamente de “macaca” e ouvindo frases ofensivas como “mulher não serve para nada”. A vítima também afirmou que o companheiro chegou a ameaçar dar “um tiro na boca dela e do filho”.
Ainda segundo a vítima, o homem não permitia que ela mantivesse contato com familiares e, quando autorizava, permanecia sempre por perto. Ela também relatou que não podia sair de casa sozinha e que, quando isso acontecia, era obrigada a se esconder dentro do veículo.
Outro ponto grave levantado na ocorrência é que o filho do casal, atualmente com 13 anos, não frequentaria a escola desde os sete anos de idade, situação que pode caracterizar abandono intelectual.
Durante a averiguação na residência, os agentes localizaram e apreenderam uma réplica de arma de fogo. A vítima apresentou ainda fotografias de lesões corporais que teriam sido provocadas pelo companheiro há cerca de oito anos, além de imagens da residência que, segundo ela, demonstrariam que o imóvel permanecia constantemente fechado.
A mulher solicitou medidas protetivas de urgência. O caso envolve crimes como sequestro e cárcere privado (artigo 148), ameaça (artigo 147), abandono intelectual (artigo 246), violência psicológica contra a mulher (artigo 147-B) e injúria racial prevista na Lei 7.716/89.
A ocorrência contou com apoio das equipes das viaturas 13740, com o subinspetor João e GCM 3ª Classe Dutra, e 13750, com GCM 2ª Classe Pereira e GCM 3ª Classe Moura.
O caso foi apresentado na unidade policial para as providências legais, sendo o homem preso e ficando a disposição da justiça.